de volta à estaca zero. sempre.
assim apresentamos um colectivo de individualidades criativas que se movimentam no campo das artes performativas e do teatro em geral.

'À estratificação como um todo, o CSO opõe desarticulação (ou n articulações) como a propriedade do plano de consistência, experimentação como a operação nesse plano (nenhum significante, nunca interpretar!) e nomadismo como o movimento (continua o mover mesmo se imóvel, nunca parar o movimento, […] Porque o CSO é tudo isso: necessariamente um lugar, necessariamente um plano, necessariamente um colectividade (juntando elementos, coisas, plantas, animais, ferramentas, pessoas, poderes e fragmentos destes todos; porque não é o ‘meu’ corpo sem órgãos, em vez de ‘Eu’, estou nele, ou o que resta de mim, inalterável e mudando na forma, cruzando pontos de referência. […] definindo linhas de voo’
defendemos assim um processo criativo dinâmico e interdependente, marcado por recuos e avanços, em que o erro surge como um dispositivo de evolução das partes e do todo.

o estaca zero teatro não distingue o palco da plateia, antes os actores e os espectadores partilham o mesmo espaço. Procuramos assim uma relação directa com o espectador em que este tem um papel dinâmico tornando-se parte integrante do espectáculo, numa intensa experiência estética metateatral. Como Antonin Artaud acusou em ‘O Teatro e o seu Duplo’: ‘ainda não foi definitivamente provado que a linguagem das palavras é o melhor meio de comunicação. E parece que em palco, que é acima de tudo um espaço a preencher e onde algo acontece, a linguagem das palavras pode ter que dar lugar à linguagem dos sinais cuja forma objectiva é aquela que tem o impacto mais imediato em nós. [...] Desconstruir a linguagem para assim tocar a vida é criar ou recriar o teatro.’

o estaca zero teatro

o estaca zero teatro não tem uma linha de acção pré-definida, não se subjuga a nenhum estilo teatral, nem corrente estética, encara antes a prática teatral como algo em aberto e sem limites aparentes, um teatro vivo. nada é definitivo, tudo é mutável, transformável, num processo que se renova a cada passo, sendo a cada momento, o resultado de uma mente colectiva, auto-crítica e insubordinada, procuramos uma provocação pura que assente na desconstrução dos cânones teatrais e do próprio texto literário, como processo primordial de formação do actor e sua autonomia criativa. um espaço para questionar convenções, pré e/ou preconceitos, rótulos formais e estéticos, regras, retóricas, teorias, enfim, tudo o que nos rodeia. Só assim podemos compreendê-los, desconstruí-los e reconstruí-los, torná-los nossos, com um renovado sentido ou sem sentido algum. Como Konstantin Stanislavski dizia, ‘quando estamos em [palco], estamos no aqui e no agora’, em que tudo pode ser apropriado como matéria teatral, num questionamento constante de todas as regras, aliás, ‘na regra, descobrir sempre o abuso’, como referia Bertolt Brecht. esta subversiva desconstrução do corpo referencial gera uma contaminação artística, feita de encontros e desencontros, discussões e confrontos, fruto das próprias acções que produzimos no tempo e no espaço em que nos movemos.

o estaca zero teatro é um ensemble de actores que trabalham na criação de uma unidade artística, na multiplicidade de um corpo, um corpo sem órgãos [CSO], como Gilles Deleuze e Félix Guatari expuseram em Milles Plateaux: ‘[…] não estratificado, informe, intensa matéria, a matriz da intensidade, intensidade = 0; mas não há nada negativo neste 0, não há intensidades negativas ou opostas. Matéria igual a energia. […] intensidades 0 como matrizes de produção. […]'